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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ana Mae Barbosa


Aguinaldo dos Santos, Ana Mae Barbosa e Marco Ogê.

Ana Mae Barbosa é carioca de nascimento, criada em Pernambuco desde menina, é graduada em Direito, carreira que abandonou logo após a formatura. É a principal referência no Brasil para o ensino da Arte nas escolas, tendo sido a primeira brasileira com doutorado em Arte-educação, defendido em 1977, na Universidade de Boston.

Foi diretora do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) e presidente do International Society of Education through Art (InSea). É professora visitante da The Ohio State University, nos EUA.

Em 1972 solicitou uma bolsa à Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) para fazer meu mestrado em Connecticut, e lhe responderam que não reconheciam a Arte-educação como área de pesquisa. Deu aulas de cultura brasileira na Universidade Yale, para custear seus estudos. Após concluir seu doutorado, foi a única pessoa no Brasil doutorada em Arte-educação, situação em que empenhou a mudar lutando ativamente pelo reconhecimento da Arte-educação e dos arte-educadores.

Foi a primeira pesquisadora a se preocupar com a sistematização do ensino de Arte em museus, durante sua gestão como diretora do MAC. Em 1987 desenvolveu, com apoio em sua "proposta triangular", o primeiro programa educativo do gênero, ainda hoje a base da maioria dos programas em Arte-educação no Brasil. Consiste no apoio do programa de ensino de Arte em três abordagens para efetivamente construir conhecimentos em Arte.

Contextualização histórica;
Fazer artístico;
Apreciação artística.
Atualmente está aposentada da pós-graduação em Arte-educação da Escola de Comunicação e Arte (ECA), da Universidade de São Paulo (USP). Mesmo aposentada continua sendo disputada como orientadora de mestrados e doutorados.

Autora de diversos livros e artigos fundamentais para o estudo nesta área, é impossível falar em arte-educação no Brasil sem lembrar de Ana Mae.

Aguinaldo dos Santos é pai de Lucca Leal dos Santos e marido de Ana Lucia Leal do Santos. Possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (1992), mestrado em Engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1995), doutorado em Gestão da Produção pela Salford University (1999) e Pós-doutorado em Design Sustentável pelo Politecnico di Milano (2009). É bolsista produtividade nível 2 do CNPq onde coordenou o Comitê Assessor de Design até julho de 2007. É professor adjunto do Departamento de Design da Universidade Federal do Paraná desde 2002, atuando no Mestrado em Construção Civil e Mestrado em Design, ocupando neste último a posição de vice-coordenador. Coordena convênio entre a UFPR e o Politécnico de Milão e Köln International School of Design. Coordena o Núcleo de Design & Sustentabilidade (www.design.ufpr.br/nucleo) desde 2003. É coordenador de Transferência de Tecnologia da Agência de Inovação da UFPR desde julho de 2009. Tem experiência na área de gestão da produção (lean production) e na área de design sustentável, sendo seu principal objeto de pesquisa atual a habitação de interesse social e sistemas produto+serviço.

domingo, 8 de novembro de 2009

"Imagem também se lê"



Para quem ainda não leu, recomendo o livro "Imagem também se lê" (Editora Rosari) de Sandra Ramalho. Li o livro em 2006, e desde lá recorro regularmente as seus capítulos para relembrar e reforçar os ecritos da autora. O livro me ensionou a "enchergar o mundo de uma outra maneira" (uso essa frase clichê para dizer uma verdade).

Reproduzo, abaixo, o email que escrevi a professora Dra. Sandra Ramalho, no dia 02 de julho de 2006, que me rendeu um autógrafo:

Olá professora. Escrevo porque hoje li "Imagem também se lê". Tenho que contar, entretanto, a história completa. Posso parecer cansativo. Assumo esse risco. Então, conterei tudo.
Na sexta-feira, fim da manhã, minha mãe me pegou na Lagoa para irmos juntos ao aeroporto buscar meu pai, que chegaria de Porto Alegre, por isso não pode estar no meu TCC. Ao descer o morro da lagoa disse a minha mãe que queria "fazer xixi" e não agüentaria até o aeroporto. Solução: paramos no Ceart, a caminho, para que eu pudesse ir ao banheiro. Saí do banheiro e, rapidamente, parei na feira de livro montada no hall central do bloco amarelo. Interessei-me pelo livro da Bachelard, "A Poética do Espaço", que já li há três anos, mas não o tenho e gostaria de reler. Quando o levantei para ver o preço, logo, me deparei com a "imagem" do "Imagem também se lê". Até então não sabia que ele estava por ali. Larguei Bachelard. Peguei o exemplar da Rosari e comprei. Ainda perguntei ao responsável pela feira se não teria desconto por ser estudante, mas ele me disse que esse era o preço "seco", sem lucros.
Bom. Ano de copa. Sexta e sábado ocupados, pelos jogos. Sábado: a decepção brasileira. Ao acordar no domingo, enfim, pensei: o que fazer num domingo em que não se acorda tarde porque não se comemorou pela madrugada a tão óbvia passagem do Brasil às semi-finais? Confesso que desde que terminei o TCC mantive certa distância de livros relacionados a design. Precisava respirar um pouco. Assim, o último que estava lendo era a biografia de Carla Camuratti, "Luz Natural", da minha segunda paixão, o cinema. A primeira é o design.
Hoje, contudo, deixei Camuratti de lado, para ser mais exato pela metade, e li Sandra Ramalho e Oliveira. Se minha modesta opinião tem alguma validade, de antemão já antecipo que adorei. Mas antes de falar do conteúdo falarei do livro enquanto objeto. Para mim, um quase bacharel em design, o acabamento do livro em lombada quadrada, em que as páginas são unidas por uma elegante gaze composta por fios azuis e brancos entrelaçados, coberta por capa dura azul reforçada por mais duas folhas coladas da mesma cor, no início e no fim, carrega consigo toda a riqueza do processo artesanal. Valoriza o fazer manual e garante a qualidade do produto bem acabado, único, exclusivo. Além disso, a estampagem da marca da editora impressa em baixo relevo, na cor branca, dá uma dose de charme ao artefato. Como se não bastasse há o acréscimo de mais uma capa, removível, com acabamento superficial brilhoso, trazendo modernidade e requinte à peça gráfica.
Ainda falando de design (design gráfico, alertando que minha quase formação é em design industrial), o layout do livro me parece ergonomicamente agradável. Gosto dos elementos principais grifados, e principalmente, aprecio as mudanças constantes da posição do texto escrito, ora do início para o fim da página, ora em outras posições. Esse layout proporciona maior dinâmica de leitura, tornando assim o ato de ler mais prazeroso.
Vamos ao conteúdo. Devo dizer que, logo de início, a leitura nos conquista. A história das letras douradas que sumiram da tese de doutorado deixa nós, leitores, muito próximos da autora, e desta forma, cativados. Permanecemos concentrados até o fim do livro. Sobretudo para mim, que também consultei sua tese e também percebi o detalhe das letras apagadas. Inclusive comentei com colega que me acompanhava que deveria se tratar de uma tese muito consultada. Quando vi que o segundo exemplar estava num estado ainda mais crítico, feito São Tomé, tive que perguntar a bolsista da biblioteca, que me confirmou que se trava de fonte excessivamente procurada.
Assim, li o livro de uma só vez, parando apenas para almoçar, e gostei muito. Na qualidade de estudante de design, asseguro que se trata de um livro fundamental. Acho que a linguagem está bem acessível, o texto está muito bem escrito, nos prende, e o conteúdo é extremante relevante.
Terminada a leitura tive a mesma reação de quando li autores de outras áreas e fiz o mesmo questionamento: Por que cargas d´água nós estudantes de design procuramos apenas livros específicos de design? E ainda tive outras: Por que cargas d'água nós estudantes de design temos tanto preconceito com a publicidade? Por que cargas d'água nós estudantes de design não nos juntamos com os estudantes de artes, moda e música? Enfim, ainda temos muito a aprender.
Mas a leitura também me trouxe coisas boas. Sua maior virtude, para mim, foi a possibilidade de olhar (ver) as coisas de uma nova maneira. E como já dizia o velho designer Enzo Mari: "design é uma nova maneira de olhar o mundo".

Quero agora um autógrafo. Pois escrevo como fã. E a professora como escritora deve aturar os caprichos de cada fã. Principalmente do chatos, como eu.

Obrigado,
Marco Ogê.